sábado, 28 de agosto de 2010

Chás medicinais podem interagir com remédios e até provocar abortos


Cha

A sabedoria popular ensina que existe um chazinho para quase tudo. Apesar de serem usados há milênios, é preciso alguns cuidados na hora de consumi-los. Muitos deles têm efeitos colaterais e podem interagir com certos medicamentos, além de serem contraindicados para gestantes.

No Brasil, o chá é regulamentado como alimento, e não como medicamento, portanto o produto não passa por testes clínicos. Para orientar a população, porém, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou em março deste ano uma regulamentação para o uso de algumas plantas medicinais. Os chás que tiveram suas propriedades terapêuticas reconhecidas pela Anvisa são bem conhecidos dos brasileiros, como o de carqueja e de alcachofra, usados para aliviar distúrbios digestivos.

A agência alerta que, para os produtos terem o efeito desejado, é preciso seguir as instruções de preparo que devem estar impressas na embalagem. As contra-indicações também devem estar impressas nas embalagens - o chá de carqueja, por exemplo, não deve ser consumido por gestantes, pois pode promover contrações uterinas e até aborto. O problema é que muitas vezes essas plantas são adquiridas a granel, ou mesmo em hortas caseiras.

É preciso ressaltar que o consumo moderado de chás não causa nenhum risco para a saúde - esses efeitos adversos só aparecem quando o chá é ingerido em excesso. “A diferença entre o medicamento e o veneno é a dose", alerta Ana Lúcia Tasca Gois Ruiz, pesquisadora da Divisão de Farmacologia e Toxicologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Basta lembrar que um potente veneno, a estricnina, é utilizado como remédio homeopático.

Outro problema é que muitos chás são propagandeados com propriedades terapêuticas que não possuem. É preciso ter muito cuidado com situações como “a-avó-da-vizinha-da-tia” recomenda, e com chás vendidos como “milagrosos”. Antes é preciso investigar se o chá recomendado é o ideal para o que se precisa, e se sua propriedade terapêutica é comprovada.

Universidades como a Federal do Mato Grosso (UFMS) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) são conhecidas por seus estudos sobre plantas medicinais, e já comprovaram as propriedades terapêuticas de vários chás, podendo ser uma boa fonte de consulta.

Mas vale a pena procurar orientação profissional. “Quando se utiliza o chá com finalidades terapêuticas, o ideal é procurar a orientação de um profissional de saúde - farmacêutico, médico, nutricionista. Ele vai orientar quanto ao chá indicado, o modo de preparo e a quantidade diária recomendada com segurança”, aponta André Gonzaga dos Santos, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp (Universidade Estadual Paulista).



Fitoterapia combatendo até a Hepatite


No livro “50 Chás Medicinais da Flora do Maranhão”, cuja quinta edição vai ser lançada dia 24, a coordenadora do Programa de Fitoterapia da UFMA, Terezinha Rêgo, aborda as plantas medicinais comumente utilizadas no preparo de chás.

Entre as 50 receitas relacionadas na obra, a farmacêutica aponta os dois chás mais utilizados: de Picão e de Quebra-pedra. A Bideus graveolens, conhecida popularmente como Picão, produz chá importante para o tratamento de hepatite e prevenção do escorbuto. O medicamento é feito com 1g dos capítulos florais em um litro de água fervente, que posteriormente deve ser coado. E, conforme diz a professora, recomenda-se a ingestão do chá 2 vezes ao dia.

Já o chá da Comphrena demissa, chamada de Quebra-pedra, atua nos rins, aumentando a taxa de excreção pela urina, e também é utilizado na dissolução de cálculos renais. Para produzir a solução, coloca-se 5g das folhas em um litro de água fervente. Depois de coado, deve-se beber três xícaras por dia.

É necessário que os chás sejam utilizados de forma correta, pois, caso contrário, podem causar prejuízos à saúde, que variam de acordo com o organismo da pessoa. Os principais exemplos de uso indevido são referentes ao excesso de ingestão e ao uso de chás em situações que exigem cirurgia imediata.

Terezinha de Jesus Almeida Silva Rêgo

Atualmente, coordena o pólo de Biodiversidade do Estado do Maranhão, em parceria com UFMA, Fapema e SEBRAE, e o de Programa de Fitoterapia da UFMA. Tem experiência na área de Botânica, com ênfase em Morfologia Vegetal, atuando principalmente nos seguintes temas: fitoterapia, hortas medicinais, medicina popular pré-amazônia, etnobotânica espécies medicinais, farmacognóstica mangifera, fitogeografia e plantas medicinais.

Terapias Naturais e Saúde


O que os chás podem fazer por você

Ninguém duvida das virtudes medicinais dos chás, um conhecimento milenar. Nos anos 50, porém, por conta da evolução da indústria farmacêutica, o uso das plantas medicinais diminuiu muito, substituídas que foram pelos medicamentos sintéticos. Já na década de 80, o interesse pelos fitoterápicos voltou a crescer e, hoje, há investimentos para a pesquisa nesta área. Afinal, é inegável que as ervas podem curar de forma mais barata e muito eficaz.
Os chás potencializam os benefícios específicos de cada planta e ainda ajudam o metabolismo no processo de desintoxicação através das catequinas. Eles também estimulam a hidratação do organismo o que auxilia o funcionamento intestinal, a produção de enzimas digestivas, o equilíbrio hídrico de todas as células, diminuindo inclusive inchaços.
Contudo é necessário fazer bom uso deles:
O chá de pata de vaca, por exemplo, é recomendado para controle da glicemia em diabéticos, mas não é possível simplesmente trocar a insulina pelo chá sem orientação médica. O chá mate e o chá preto, por sua vez, podem impedir a absorção de ferro e cálcio porque contêm tanino.

Livro aborda chás que ajudam na cura de doenças
OS BENEFÍCIOS DO CHÁ

Vários estudos foram já realizados, e muitos outros são agora desenvolvidos, sobre os vários benefícios que cada tipo de “chá” pode trazer para a saúde. Há infusões de plantas que têm uma acção calmante, outras diurética, outras ainda digestiva. O chá contém flavonóides, que agem como antioxidantes – e vários estudos mostram que estes componentes podem ajudar a prevenir o aparecimento de várias doenças.

A investigação científica relativa aos eventuais benefícios do chá na saúde encontra-se ainda numa fase preliminar, pelo que é difícil saber exactamente quais os benefícios que poderão advir para a sua saúde dependendo da quantidade de chá que beber.

Recentes estudos mostraram uma associação entre o consumo de chá e uma redução do risco de doenças do coração. Por outro lado, algumas descobertas sugerem que a ingestão de chá tem um papel importante na prevenção de várias formas de cancro.

O chá contém cafeína, um estimulante activo e habitual causador de bem estar, embora a infusão de chá verde ou preto contenha menos cafeína do que o café. Note, no entanto, que se consumir elevadas doses de chá com cafeína por dia poderá ter sintomas como irritabilidade, insónia, palpitação cardíaca ou tonturas – como em tantos outros casos, é no meio que se encontra a virtude.

Os “radicais livres” são substâncias nocivas que se formam naturalmente no corpo e no meio ambiente, por acção do sol, poluição do ar, alimentos fritos ou grelhados no carvão. Os antioxidantes ajudam a proteger o corpo dos efeitos por eles causados.

O chá preto é o mais popular. É produzido a partir da planta Camellia Sinensis, através de processos naturais de secagem, fermentação e oxidação. O chá preto é totalmente fermentado (o nome de chá preto deve-se à cor castanha escura acobreada que as folhas adquirem no final do processo). O chá Oolong é parcialmente fermentado, deixando um sabor delicado. O chá verde não é fermentado, e produz um sabor límpido e aromático.

Chá Preto – uma das mais conhecidas variedades é o English Breakfast, um chá forte, habitualmente tomado com um pouco de leite. O seu consumo regular previne a ocorrência de ataques cardíacos e enfartes. Reduz níveis de colesterol no sangue.

Chá Verde – normalmente proveniente dos países asiáticos. Uma das variedades mais conhecida é o China Green Pekoe, que tem um sabor forte, fresco e ligeiramente adocicado; deve ser bebido simples, a qualquer hora do dia. Menos forte, o Japan Bancha é muito aromático, e de sabor doce e frutado. Pode ser bebido às refeições ou como refresco. O chá Gorreana (do tipo Orange Pekoe), produzido nos Açores, para além de muito saboroso é ainda um dos mais ricos em antioxidantes. A Gorreana tem a particularidade de possuir a única fábrica de chá da Europa.

É importante na prevenção do cancro, em casos de colesterol alto, cáries e gengivites (fluoreto). Protege contra um grande número de infecções fúngicas, bacterianas e virais (como as vulgares constipações). É bom para o trato digestivo e circulação sanguínea, torna mais lúcido o raciocínio. Pode interromper a diarreia. Previne a formação de pedras na vesícula e nos rins. Normaliza a função da tiróide. Facilita a regeneração da pele. Melhora a respiração dos asmáticos (por acção da teofilina).

Por outro lado, deverá limitar a ingestão de chá verde se tiver problemas de estômago, complicações cardiovasculares, tendência a cólicas ou ataques de ansiedade.

Chá Oolong - proveniente da China e Taiwan; o mais conhecido é o China Oolong (também conhecido como “China Ti Kwan Yin”, ou “Chá da Deusa de Ferro da Misericórdia”): este é um chá muito especial, de sabor suave e aromático, que se deve beber simples, sem qualquer adição de leite ou açucar.

O Chá Oolong é muitas vezes considerado um “meio-termo” entre os chás preto e verde.

Chá Branco (Sri Lanka) – este chá, bastante raro, deve ser bebido simples, após as refeições, como digestivo, ou como um leve chá da tarde.

Chás aromatizados – são feitos através da adição de sabores ao chá preto, verde ou Oolong. O mais famoso é o Earl Grey, conseguido através da adição de bergamota ao chá preto. O English Breakfast é também bastante conhecido, e o Lapsang Souchong tem-se tornado também bastante popular.

O chá preto, o branco, e o vermelho são variedades da camellia sinensis e também traz benefício à saúde. A principal diferença entre o chá preto, o branco e o vermelho é a época da colheita das folhas e o modo de prepará-las. Esses tipos de chás são feitos com a mesma planta, Camellia sinensis. Eles se diferenciaram na quantidade de nutrientes, sabor e nos efeitos benéficos que trazem ao organismo. Descubra a vantagens dessas variedades.

Chá branco, as folhas são colhidas bem antes da florada, quando ainda há botões, e são secadas naturalmente. A bebida tem esse nome pela coloração das folhas. É feito com folhas muito jovens, que possuem que possuem uma penugem que lhes da aparência prateada. O chá branco possui bem menos cafeína que o chá verde ou preto, e muito mais polifenois, substancias antioxidantes que previne o envelhecimento precoce e alguns tipos de câncer, como o de mama, intestino e boca. Assim como o chá verde, ele acelera o metabolismo do corpo, facilitando a eliminação de gorduras e auxiliando em dietas de emagrecimento. Tem sabor adocicado. Por ser um tipo raro de chá, seu preço é maior que o das outras variedades camellia sinensis.

O chá preto tem sabor intenso, mais não é amargo como o chá verde ou o branco. É bastante apreciado por pessoas que não estão acostumadas com o sabor do chá verde. As folhas passam por um processo de fermentação após a colheita e seguem para um forno para desidratação. Por causa desses processos, as folhas perdem grande parte dos nutrientes com propriedades medicinais, como os antioxidantes. É o mais rico em cafeína, por isso não é recomendado para pessoas hipertensas ou que sofrem de insônia. O chá preto reduz o estresse e estimula a circulação sanguínea e contribui para regular as taxas de colesterol no sangue.

O chá vermelho as folhas são colhidas após as floradas e são armazenadas em barris para fermentar naturalmente. As ervas é mantido nesses barris por dez anos ou mais. Por isso, ganham a coloração avermelhada e perdem o sabor amargo, típico do chá verde. Estima-se que o chá vermelho contribui para diminuir o colesterol ruim (LDL) no sangue e fortalece o sistema imunológico. Além disso, ele também ajuda nas dietas de emagrecimento, pois acelera a queima de calorias no organismo e produz a sensação de saciedade e relaxamento. E podemos encontrá-los de forma aromatizada com sabor de morango, lembrando que grávidas e hipertensos não devem ultrapassar o consumo de uma xícara (chá )por dia.

O chá é uma bebida preparada através da infusão de folhas, flores, raízes de chá, ou Camellia sinensis. Geralmente é preparada com água quente. Cada variedade adquire um sabor definido de acordo com o processamento utilizado, que pode incluir oxidação, fermentação, e o contato com outras ervas, especiarias e frutos.

A palavra "chá" é também usada popularmente para referenciar qualquer infusão de frutos, folhas, raízes ou ervas como a camomila ou a cidreira, mesmo não contendo folhas de chá (ver tisana). Este artigo debruça-se, contudo, apenas sobre o verdadeiro chá.

Cultivo

Plantação de chá na Malásia.

Nativo de regiões subtropicais com clima de monções, o chá também é cultivado em climas tropicais, obtendo maior sucesso em regiões de alta altitude. Quantitativamente, das cerca de 3.000.000 de toneladas produzidas anualmente, metade é produzida pela China e Índia, em proporções iguais. 60% do restante é produzido pelo Quénia, Turquia, Indonésia e Sri Lanka. Na Europa apenas é cultivado nos Açores, onde são produzidas anualmente cerca de 40 t.

Em todas as regiões produtoras de chá, o cultivo é semelhante, utilizando árvores podadas, para facilitar a colheita, e relativamente jovens, sendo substituídas quando começam a perder produtividade, com cerca de 50 anos. Notáveis exceções incluem o Gyokuro, chá verde japonês, protegido do sol durante o cultivo, e o Pu-erh, tradicional chá do sudoeste da China, que utiliza árvores com dezenas de metros e centenas de anos, muitas delas selvagens.

Arbusto de chá

Cultivo em Portugal

Portugal teve duas primazias em relação à introdução do chá na Europa. A da introdução do consumo de chá e a introdução, em 1750, do cultivo do chá. Foram produzidos, na Ilha de São Miguel em zonas de micro-clima como Porto Formoso e Capelas, 10 kg de chá preto e 8 kg de chá verde. No entanto seria só um século depois que, com a chegada de mão de obra especializada, a produção se tornaria consequente, passando a haver uma aposta na industrialização do processamento após a coleta das folhas.

Ressaltar que atualmente o chá produzido nos Açores, sob as marcas Gorreana e Porto Formoso, é considerado um chá biológico, o que em muitos mercados provoca uma ideia de novidade que não é atual. O processamento deste, desde o cuidado dos arbustos até à colheita, é o mesmo há 250 anos. Este chá tem praticamente toda a sua produção dividida entre a região dos Açores, a comunidade da ilha na diáspora e o Reino Unido.

Processamento do chá

Os quatro tipos de chá são distinguíveis pelo seu processamento. Camellia sinensis é um arbusto sempre verde cujas folhas, se não são logo secas depois de apanhadas, rapidamente começam a oxidar. Este processo lembra a maltização da cevada; as folhas ficam progressivamente escuras, assim que a clorofila se quebra. O processo seguinte no processamento é parar o processo de oxidação num estado predeterminado removendo a água das folhas via aquecimento. O termo fermentação é frequente e muito usado para descrever este processo, mesmo que na verdade nenhuma verdadeira fermentação aconteça (ou seja, o processo não é digerido por microorganismos).

O chá é tradicionalmente classificado em quatro grupos principais baseados no grau de oxidação:

  • Chá branco: folhas jovens (novos botões que cresceram) que não sofreram efeitos de oxidação; os botões podem estar escudados da luz do sol para prevenir a formação de clorofila.
  • Chá verde: a oxidação é parada pela aplicação de calor, que através de vapor, um método tradicional japonês, ou em bandejas quentes — o método tradicional chinês).
  • Oolong (烏龍茶): cuja oxidação é parada alguns entre o chá verde e o chá preto.
  • Chá preto: oxidação substancial. A tradução literal da palavra chinesa é chá vermelho, o que pode ser usado entre os fãs de chá.
  • variações pouco comuns: estão disponíveis várias preparações de chá que não se enquadram na nomenclatura usual.
    • Pu-erh (普洱茶): erroneamente considerado como uma subclasse de chá preto, pu-erh é um produto muito invulgar. O Pu-erh é um chá fermentado e envelhecido (pode ter mais de 50 anos), por vezes, descrito como duplamente fermentado, sendo a segunda "fermentação" resultado da ação de bactérias. Existe um método moderno de acelerar o envelhecimento natural que produz pu-erh de menor qualidade, chamado pu-erh cozinhado, que é vendido frequentemente em saquinhos. O pu-erh tradicional é conservado em forma de "tijolo" ou outras formas (as folhas de chá depois de tratadas são prensadas em moldes). Este é o mais apreciado de todos os chás na China, sendo catalogado em função da qualidade das folhas e do ano de produção, tal como um bom vinho no ocidente, e é o chá normalmente utilizado para a cerimônia de chá chinesa (Kung Fu Cha). Para preparar a infusão usa-se água muito quente ou até mesmo a ferver (os tibetanos são conhecidos por deixá-los a ferver durante a noite). O Pu-erh é considerado como um chá medicinal na China.
    • Chá amarelo: é usado como um nome de chá de alta qualidade servido na corte imperial, ou de um chá especial processado similarmente ao chá verde, mas com uma fase de secagem mais demorada.
    • Chong Cha (虫茶): literalmente "chá quente", esta espécie é feita a partir de sementes de botões de chá em vez de folhas. É usado na medicina chinesa para lidar com o calor do verão bem como para tratar sintomas de gripe.
    • Kukicha ou chá de inverno: feita de galhos e folhas velhas twig podadas da planta de chá durante a época dormente e tostado a seco sob o fogo. É popular na medicina tradicional japonesa e na dieta macrobiótica.
    • Lapsang souchong (正山小种 ou 烟小种) de Fujian, China, é um chá preto fumado, isto é, secado usando fogueiras de pinho.
    • Chá Rize: chá preto forte, produzido na Turquia, com um sabor distinto e preparação específica, incluindo pré-aquecimento, servido com açúcar.

Processamento do chá preto

O chá preto é processado de duas formas, em CTC (Crush, Tear, Curl — Esmagamento, Rasgo, Enrolamento) ou ortodoxo, isto é, em folhas inteiras.

O método CTC é usado para folhas de baixa qualidade que acabam em saquinhos de chá e são processados por máquinas. Este método é eficiente para produzir um produto a partir de folhas de qualidade média ou baixa. O processamento manual é usado para chás de qualidade elevada. Este estilo de processamento ortodoxo resulta num chá de qualidade elevada procurado por muitos conhecedores e apreciadores de chá.

Variedades

O chá preto produzido fora da China toma normalmente o nome da região de origem: Darjeeling, Assam, Ceilão, entre outras. Na China, o chá preto mais famoso é provavelmente o Keemun, mas existem muitas outras variedades. A maioria dos chás verdes, contudo, são produzidos na China e Japão e por isso mantiveram o seu nome em japonês ou chinês tradicional: Genmaicha (玄米茶), Houjicha (焙じ茶), Pouchong (包種茶), etc. O chá verde e o chá preto têm antioxidantes, mas de tipos diferentes. O chá verde é mais rico em catequinas, especialmente o galato de epigalhocatequina, enquanto que o chá preto contém uma maior variedade de flavonóides. O chá Oolong é intermédio, sendo o mais famoso o chá da Formosa. O chá branco, de folhas de chá muito jovens, é muitas vezes considerado um tipo distinto, embora ocasionalmente seja agrupado como um chá verde devido ao processamento simples. O chá branco produz uma infusão delicada que a maioria das vezes retém uma doçura residual leve.

Todos os tipos são vendidos como chás "simples", quando são uma única variedade, ou "misturas" (blends).

Adulteração e falsificação são problemas sérios no comércio global de chá; a quantidade de chá vendida como Darjeeling, o mais apreciado dos chás pretos, todos os anos excede grandemente a produção anual de Darjeeling, estimada em 11000 toneladas. Entre os chás, o chá branco é considerado o mais raro e mais caro; ele deve ser colhido manualmente apenas durante uma certa fase da vida da planta. Independente disso, no entanto, encontra-se disponível em lojas especializadas e, apenas recentemente, acondicionados em saquinhos de papel.

Misturas e aditivos

Quase todos os chás em saquetas e a maior parte dos outros chás são misturas. Apesar de recentes melhoramentos na técnica de congelação seca e do método melhorado de infusão, são vendidos o pó de chá e a essência condensada de chá que apenas necessitam de água quente ou fria para se preparar uma chávena de chá. A mistura pode ocorrer ao nível de uma só área de plantação (por exemplo Assam), ou podem ser misturados chás provenientes de diversas áreas. O objetivo da elaboração de misturas é a obtenção de um sabor estável ao longo dos anos e de melhor preço. Numa mistura, o chá mais caro e mais saboroso pode encobrir o sabor inferior de um chá mais barato.

Há vários chás que contêm aditivos e/ou processamentos diferentes das variedades "puras". O chá tem a capacidade de adquirir qualquer aroma facilmente, o que pode trazer problemas no processamento, no transporte, ou na sua armazenagem, mas essa capacidade também deve ser aproveitada vantajosamente para preparar chás aromatizados.

  • O chá de jasmim é espalhado conjuntamente com flores de jasmim durante a oxidação, e ocasionalmente são deixadas algumas flores no chá como decoração. Muitas outras flores, como a rosa e outras flores perfumadas, são usadas como aromatizantes do chá na China.
  • O chá Earl Grey é geralmente uma mistura de chás pretos, com adição de essência de bergamota (fruto da família dos cítricos originário de Itália).
  • Chás com especiarias, tais como o indiano massala chai, aromatizados com especiarias tais como o gengibre, o cardamomo, a canela, a pimenta preta, o cravo-da-Índia, o louro indiano e por vezes a noz-moscada são comuns no sul da Ásia e no Médio Oriente.
  • O chá Touareg é chá verde forte com Nana hortelã, preparado nos países do norte de África e Médio Oriente.
  • O Jagertee é chá com adição de rum.

Substitutos do chá

Infusões de outras plantas também são às vezes chamadas de "chá" e utilizadas em substituição deste:

História

Origem e disseminação do chá

Historicamente, a origem do chá como erva medicinal útil para se manter desperto não é clara. O uso do chá, enquanto bebida social data, pelo menos, da época da dinastia Tang.

Os primeiros europeus a contactar com o chá foram os Portugueses que chegaram ao Japão em 1560[1].

Em breve a Europa começou a importar as folhas, tendo a bebida tornado-se rapidamente popular, especialmente entre as classes mais abastadas na França e Países Baixos. O uso do chá na Inglaterra é atribuído a Catarina de Bragança, princesa portuguesa que casou com Carlos II da Inglaterra) e pode ser situado cerca de 1660. Catarina patrocinava "Tea parties", onde o chá passou a ser apreciado pelas mulheres e, posteriormente, daí passou a ser também do gosto masculino.

O chá era bebido em cafés e seu consumo foi crescendo desde o final do século XVII, sendo que era bebido a qualquer hora do dia até o início do século XIX, quando a tradição chá da tarde ("five o'clock tea") foi instituída pela sétima Duquesa de Bedford em Londres.

A palavra chá

O carácter chinês para chá é 茶, mas tem duas formas completamente distintas de se pronunciar. Uma é 'te' que vem da palavra malaia para a bebida, usada pelo Dialecto Min-nan que se encontra em Amoy. Outra é usada em cantonês e mandarim, que soa como cha e significa 'apanhar, colher'.

Esta duplicidade fez com que o nome do chá nas línguas não chinesas as dividisse em dois grupos:

Línguas que usam derivados da palavra Te: alemão, inglês, dinamarquês, hebraico, húngaro, finlandês, indonésio, italiano, letão, tamil, sinhala, francês, holandês, espanhol, arménio e latim científico.
Línguas que usam derivados da palavra Cha: hindi, japonês, português, persa, albanês, checo, russo, turco, tibetano, árabe, vietnamita, coreano, tailandês, grego, romeno, swahili, croata.


Influências sobre a saúde

O chá é tradicionalmente usado nos seus países de origem como uma bebida benéfica à saúde em vários aspectos. Recentemente, cientistas têm se dedicado aos estudos dos efeitos do chá sobre o organismo, bem como a conhecer melhor as substâncias que promovem esses efeitos. Todos os tipos de chá possuem praticamente as mesmas substâncias, porém em concentrações muito diferentes devido aos processos de preparação.

Estudos sugerem que o chá tem muitas propriedades benéficas importantes, por exemplo: é anticancerígeno, aumenta o metabolismo, ajuda o sistema imunológico, reduz o mau-hálito, diminui o stress, tem efeitos sobre o HIV. É no entanto necessária alguma precaução em relação a estas conclusões, porque não existem praticamente resultados científicos conclusivos e além disso alguns dos estudos feitos (particularmente na China) têm por detrás grandes interesses económicos.

É no entanto de salientar que o excesso de consumo, ou o consumo de chá mal conservado ou mal preparado, têm também efeitos negativos para a saúde. Em particular, o chá possui fluoretos (provocam osteoporose e artrite e são cancerígenos), cafeína (provoca doenças do sono), e oxalatos (provocam problemas renais). Mas, em geral, pode-se dizer que o chá tem sobretudo efeitos benéficos, porque todas estas substâncias têm efeitos benéficos se ingeridas em pequenas quantidades.