sábado, 28 de agosto de 2010

Chás medicinais podem interagir com remédios e até provocar abortos


Cha

A sabedoria popular ensina que existe um chazinho para quase tudo. Apesar de serem usados há milênios, é preciso alguns cuidados na hora de consumi-los. Muitos deles têm efeitos colaterais e podem interagir com certos medicamentos, além de serem contraindicados para gestantes.

No Brasil, o chá é regulamentado como alimento, e não como medicamento, portanto o produto não passa por testes clínicos. Para orientar a população, porém, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou em março deste ano uma regulamentação para o uso de algumas plantas medicinais. Os chás que tiveram suas propriedades terapêuticas reconhecidas pela Anvisa são bem conhecidos dos brasileiros, como o de carqueja e de alcachofra, usados para aliviar distúrbios digestivos.

A agência alerta que, para os produtos terem o efeito desejado, é preciso seguir as instruções de preparo que devem estar impressas na embalagem. As contra-indicações também devem estar impressas nas embalagens - o chá de carqueja, por exemplo, não deve ser consumido por gestantes, pois pode promover contrações uterinas e até aborto. O problema é que muitas vezes essas plantas são adquiridas a granel, ou mesmo em hortas caseiras.

É preciso ressaltar que o consumo moderado de chás não causa nenhum risco para a saúde - esses efeitos adversos só aparecem quando o chá é ingerido em excesso. “A diferença entre o medicamento e o veneno é a dose", alerta Ana Lúcia Tasca Gois Ruiz, pesquisadora da Divisão de Farmacologia e Toxicologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Basta lembrar que um potente veneno, a estricnina, é utilizado como remédio homeopático.

Outro problema é que muitos chás são propagandeados com propriedades terapêuticas que não possuem. É preciso ter muito cuidado com situações como “a-avó-da-vizinha-da-tia” recomenda, e com chás vendidos como “milagrosos”. Antes é preciso investigar se o chá recomendado é o ideal para o que se precisa, e se sua propriedade terapêutica é comprovada.

Universidades como a Federal do Mato Grosso (UFMS) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) são conhecidas por seus estudos sobre plantas medicinais, e já comprovaram as propriedades terapêuticas de vários chás, podendo ser uma boa fonte de consulta.

Mas vale a pena procurar orientação profissional. “Quando se utiliza o chá com finalidades terapêuticas, o ideal é procurar a orientação de um profissional de saúde - farmacêutico, médico, nutricionista. Ele vai orientar quanto ao chá indicado, o modo de preparo e a quantidade diária recomendada com segurança”, aponta André Gonzaga dos Santos, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp (Universidade Estadual Paulista).



Fitoterapia combatendo até a Hepatite


No livro “50 Chás Medicinais da Flora do Maranhão”, cuja quinta edição vai ser lançada dia 24, a coordenadora do Programa de Fitoterapia da UFMA, Terezinha Rêgo, aborda as plantas medicinais comumente utilizadas no preparo de chás.

Entre as 50 receitas relacionadas na obra, a farmacêutica aponta os dois chás mais utilizados: de Picão e de Quebra-pedra. A Bideus graveolens, conhecida popularmente como Picão, produz chá importante para o tratamento de hepatite e prevenção do escorbuto. O medicamento é feito com 1g dos capítulos florais em um litro de água fervente, que posteriormente deve ser coado. E, conforme diz a professora, recomenda-se a ingestão do chá 2 vezes ao dia.

Já o chá da Comphrena demissa, chamada de Quebra-pedra, atua nos rins, aumentando a taxa de excreção pela urina, e também é utilizado na dissolução de cálculos renais. Para produzir a solução, coloca-se 5g das folhas em um litro de água fervente. Depois de coado, deve-se beber três xícaras por dia.

É necessário que os chás sejam utilizados de forma correta, pois, caso contrário, podem causar prejuízos à saúde, que variam de acordo com o organismo da pessoa. Os principais exemplos de uso indevido são referentes ao excesso de ingestão e ao uso de chás em situações que exigem cirurgia imediata.

Terezinha de Jesus Almeida Silva Rêgo

Atualmente, coordena o pólo de Biodiversidade do Estado do Maranhão, em parceria com UFMA, Fapema e SEBRAE, e o de Programa de Fitoterapia da UFMA. Tem experiência na área de Botânica, com ênfase em Morfologia Vegetal, atuando principalmente nos seguintes temas: fitoterapia, hortas medicinais, medicina popular pré-amazônia, etnobotânica espécies medicinais, farmacognóstica mangifera, fitogeografia e plantas medicinais.

Terapias Naturais e Saúde


O que os chás podem fazer por você

Ninguém duvida das virtudes medicinais dos chás, um conhecimento milenar. Nos anos 50, porém, por conta da evolução da indústria farmacêutica, o uso das plantas medicinais diminuiu muito, substituídas que foram pelos medicamentos sintéticos. Já na década de 80, o interesse pelos fitoterápicos voltou a crescer e, hoje, há investimentos para a pesquisa nesta área. Afinal, é inegável que as ervas podem curar de forma mais barata e muito eficaz.
Os chás potencializam os benefícios específicos de cada planta e ainda ajudam o metabolismo no processo de desintoxicação através das catequinas. Eles também estimulam a hidratação do organismo o que auxilia o funcionamento intestinal, a produção de enzimas digestivas, o equilíbrio hídrico de todas as células, diminuindo inclusive inchaços.
Contudo é necessário fazer bom uso deles:
O chá de pata de vaca, por exemplo, é recomendado para controle da glicemia em diabéticos, mas não é possível simplesmente trocar a insulina pelo chá sem orientação médica. O chá mate e o chá preto, por sua vez, podem impedir a absorção de ferro e cálcio porque contêm tanino.

Livro aborda chás que ajudam na cura de doenças

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